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Conselho de Medicina anuncia novas regras para reprodução assistida
17/01/2012:
A partir de agora, os médicos poderão implantar, no máximo, quatro
embriões. Casais homossexuais e pessoas solteiras que querem ter filhos
também vão poder recorrer ao procedimento.
O Conselho Federal de Medicina anunciou novas regras para a reprodução
assistida no Brasil. Mais casais terão acesso à técnica e os
especialistas terão que seguir normas mais rígidas.
Núbia tem que se multiplicar para atender aos trigêmeos, um trabalho
que ela adora. Antes, foram três tentativas frustradas e muito desgaste.
“Não é simples. Tem um preço e um preço emocional muito grande”, contou ela.
Com a evolução da medicina, cada vez mais casais com problema de
fertilidade recorrem às técnicas de reprodução assistida. Por isso, o
Conselho Federal de Medicina atualizou as regras, que já tinham 18 anos.
Na reprodução assistida, o óvulo da mulher é coletado e fertilizado
pelo espermatozóide, em laboratório. Os embriões gerados são, então,
transferidos, para o útero da mulher. A partir de agora, os médicos
poderão implantar, no máximo, quatro embriões.
Segundo o Conselho, é um cuidado para evitar uma gestação com muitos
bebês, que pode provocar riscos para a mãe e para os filhos. O número de
embriões tem que levar em conta a idade da mulher. Quanto mais jovem,
menos embriões são necessários porque a taxa de sucesso da gravidez é
maior.
Por isso, para as mulheres de até 35 anos, poderão ser implantados até
dois embriões. Entre 36 e 39 anos, três embriões. De 40 anos em diante,
quatro embriões.
Outra novidade: até hoje, o Conselho Federal de Medicina determinava
que apenas casais heterossexuais podiam recorrer à reprodução assistida.
O Conselho mudou a norma e agora casais homossexuais e pessoas
solteiras que querem ter filhos também podem recorrer a esse
procedimento.
As novas regras determinam ainda que não pode haver seleção de embriões
para escolher o sexo ou outras características do bebê. Embriões,
óvulos e espermatozóides congelados poderão ser usados mesmo depois da
morte do doador, desde que haja autorização em cartório.
As medidas foram aprovadas por unanimidade pelo Conselho. “Quem não
segue, a própria lei dos conselhos determina uma punição que vai da
advertência até a cassação, dependendo da gravidade da conduta do
médico”, explicou o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto
d'Avila.
Na clínica do especialista José Gonçalves Franco Júnior quatro mil bebês nasceram pelo método de reprodução assistida.
“De uma forma geral, essas medidas, as novas medidas trouxeram certa
amplitude da aplicação das técnicas de reprodução assistida no Brasil”,
declarou ele.
É mais segurança para ajudar a realizar o sonho de muitas famílias.
“Era meu maior sonho ter um filho, apertar meu filho no colo e, de
repente, eu tive três. Foi muito legal!”, afirmou Núbia.
Jornal Nacional / Matéria de 05/01/2011
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