Parem de usar as crianças como desculpa para se opor ao casamento gay

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Seria muito bom viver em um mundo perfeito, mas, infelizmente, o nosso ainda é recheado de preconceito.

Um dos mais frequentes é contra casais homossexuais. E, muitas vezes, quem paga o pato são os filhos destes casais.

É comum que oponentes de casais gays argumentem que crianças criadas por homossexuais estão em algum tipo de desvantagem. Mas as pesquisas científicas realizadas até hoje mostram que isso simplesmente não é verdade.

Em casos nos quais alguma diferença é notada, ela é geralmente devida ao estigma que gays sofrem na sociedade. Ou seja, quem quer impedir que casais gays tenham filhos é justamente quem está prejudicando esses filhos.

Literatura científica

Muitas pesquisas já revelaram que crianças de pais gays estão indo muito bem, obrigado.

Uma meta-análise da Universidade do Colorado, por exemplo, concluiu que filhos de pais do mesmo sexo não experimentam nenhuma diferença em comparação com crianças de outras configurações paternais.

Outro estudo da Universidade da Califórnia analisou o desenvolvimento de crianças adotadas nos Estados Unidos, afirmando que a sexualidade dos pais praticamente não interferiu no processo.

Uma pesquisa internacional de colaboradores dos EUA e da Holanda foi mais uma que descobriu que não há nenhuma diferença entre crianças criadas por pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente.

Existem raras exceções, no entanto. Uma análise de 2014 sobre o bem-estar de mais de 200 mil crianças nos EUA encontrou problemas emocionais pelo menos duas vezes mais prevalentes entre filhos de pais do mesmo sexo, embora, em última instância, os pesquisadores tenham culpado esses problemas na relação biológica entre descendentes e seus responsáveis mais do que nos gêneros dos pais.

Novo estudo

O tema do bem-estar da criança de pais do mesmo sexo é muito complexo, obviamente, como qualquer outro tema sociológico.

O tamanho das amostras em estudos feitos até hoje tem sido no geral pequeno, o que causa problemas nas conclusões.

No entanto, censos em larga escala recentes começaram a coletar informações detalhando a orientação sexual dos participantes, o que tem facilitado que pesquisadores analisem o bem-estar emocional e psicológico de famílias a nível nacional.

Por exemplo, um novo estudo que incluiu pesquisadores da Universidade da Califórnia, da Universidade de San Diego (ambas nos EUA) e do Instituto Karolinska (Suécia), comparou o bem-estar de crianças de pais homo e heterossexuais utilizando dados do Inquérito Nacional de Intervenção de Saúde de 2013-2015 dos EUA, que compilou informações sobre as dificuldades emocionais e de saúde mental de mais de 21.000 crianças com idades entre 4 a 17 anos no país.

Parem de achar problema onde não tem

Embora o estudo não tenha mostrado qualquer indicação de maiores dificuldades emocionais ou psicológicas entre crianças de pais homossexuais, os cientistas de fato descobriram que filhos com pais bissexuais tinham pontuações ligeiramente piores.

Uma causa provável para este dado tornou-se logo clara: uma vez que os pesquisadores levaram em conta o nível de angústia psicológica dos pais, as diferenças desapareceram.

Em outras palavras, qualquer variação potencial no bem-estar mental das crianças provavelmente foi resultado dos desafios que os pais enfrentam em uma sociedade que estigmatiza sua orientação sexual e seus relacionamentos, e não como uma consequência direta de suas sexualidades.

“À medida que as famílias de lésbicas, gays e bissexuais se tornam mais visíveis, os resultados reforçam estudos anteriores revelando que as crianças criadas nessas famílias têm um bem-estar psicológico comparável com crianças criadas por pais heterossexuais”, resumiu um dos pesquisadores do estudo, Jerel Calzo, da Universidade de San Diego.
/h2>Palavra-chave: inclusão

Esses resultados também indicam a necessidade de um investimento governamental em estratégias para prevenir a discriminação baseada na orientação sexual, e apoiar pais que possam sofrer com esse estresse.

E você, oponente do casamento gay, deve parar de dizer coisas como “precisamos pensar nas crianças”, uma vez que as potenciais consequências negativas nos filhos são mais propensas de serem o resultado do próprio estigma.

Na verdade, uma sociedade realmente preocupada com o bem-estar das crianças deve se tornar mais inclusiva, e não menos.

A pesquisa foi publicada na revista científica Child Development. [ScienceAlert]

 

 

https://hypescience.com/

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