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Gays levam a diversidade às quadrilhas juninas

19/06/2017:

É bastante razoável se dizer que a quadrilha junina distanciou-se de suas origens europeias de uma dança de salão

 

 

Nem a militância politicamente chata nem intolerantes ensandecidos ou puristas da cultura falam do tema, felizmente, mas as quadrilhas juninas estão cada vez mais coloridas, bem coreografadas e, vejam só, cheias de rapazes gays, alguns deles dançando vestidos como figuras femininas, em apresentações onde o preconceito passa ao largo, pois é a alegria que impera.

 

Não há um número confiável de quantas são as quadrilhas juninas organizadas em Teresina. Alguns falam em 100. Outros, mais exagerados, em 150. Mas elas são muitas e como a maioria envolve de 52 (o número de cartas do baralho) a até 60 pares, podemos contar, num dado conservador, o envolvimento de mais de cinco mil pessoas somente na dança em si.

Há ainda músicos, o pessoal de apoio e logística, os marcadores (aquele cara que, como um maestro, está a conduzir a quadrilha) e, claro, gente que indiretamente se envolve nesse arranjo produtivo cultural, como costureiros/as, que nesta época do ano veem a crise queimar nas fogueiras de São João.

Opa, mas a gente já entrou na área da economia e deixou para trás o começo da abordagem: a presença dos gays nas quadrilhas. Bem, talvez o tema tenha sido esquecido porque o fato de haver muito, mas muitos rapazes gays nas quadrilhas não é para ser simplesmente abordado como uma curiosidade.

Os meninos gays são quadrilheiros porque eles dançam muitíssimo bem, são proativos, se dedicam muito aos ensaios, suam a camisa – na verdade toda uma roupa que requer um grande investimento para o brilho de uma festa que, cada vez é menos rural, transpondo-se para um mundo urbano e um universo pop.

É bastante razoável se dizer que a quadrilha junina distanciou-se de suas origens europeias de uma dança de salão, apropriada no Nordeste profundo e seus ritmos rurais (como o baião, o xote e o xaxado) e é agora uma manifestação cultural mais contemporânea, mais próxima do gosto e do estilo de vida urbana e pop dos tempos atuais.

O fato de rapazes gays se apresentarem – e muito bem – em quadrilhas é uma evidência muito clara deste novo universo pop em que a festa junina se converteu, mas sem perder a raiz sertaneja, do Nordeste profundo e suas histórias.

Mesmo sendo agora uma manifestação mais para o pop e menos para o forró, a quadrilha ainda tem em Luiz Gonzaga o seu rei ou, mais que isso, uma espécie de patriarca eterno.

Vinda do Nordeste profundo, agora convertida ao mundo urbano das cidades, a quadrilha fez-se uma corte real. Tem um rei, uma rainha e o Cangaço: casais (sete, me parece) que se apresentam como cangaceiros, tendo Lampião e Maria Bonita como líderes do que poderia ser uma ala destacada em meio aos pares que se vestem num tema escolhido todo ano.

Mas ainda tem padre, delegado, noiva, noivo, pai da noiva, como antigamente. Só que tudo está bem mais relacionado a uma contemporaneidade premente, o que inclui, por exemplo, uma preocupação com meio ambiente, violência urbana e outros temas que cotidianamente nos batem à porta.

Ah, depois dessa digressão toda sobre os rumos das quadrilhas, faltou discorrer um pouco mais sobre o citado arranjo produtivo cultural... Bom, é complicado para mim ser mais profundo num tema que exige um sem número de estatísticas. No entanto, é razoável supor que em um Estado com 224 municípios, como o Piauí, a existência de quadrilhas requer uma montanha de dinheiro para, principalmente, vestir toda a gente que vai bailar.

O arranjo produtivo das quadrilhas juninas pode envolver uma cadeia de ganhos que vai desde a produção de roupas de couro para o Cangaço até o emprego de pessoal que costura a indumentária dos quadrilheiros em suas comunidades.

Há milhares de pessoas que ganham dinheiro graças a essa festa que nasceu como uma brincadeira de brasileiros pobres no Nordeste rural e hoje é certamente uma indústria que vai para além do entretenimento puro e simples.

 

 

 

https://www.portalaz.com.br/blog/blog-do-claudio-barros/397812/gays-levam-a-diversidade-as-quadrilhas-juninas-e-essa-e-so-uma-p

 

 

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