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A 'Parada do Orgulho LGBT' é a melhor do mundo e mudou São Paulo nesses 20 anos

19/06/2017:

 

O colorido da diversidade ocupou a Avenida Paulista neste domingo (18) durante a 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Com o tema "Todas e todos por um Estado laico", o evento reuniu cerca de 3 milhões de pessoas, segundo os organizadores. A seguir, você acompanha 7 fatos que tornam a festa a melhor do mundo e fundamental para o combate à intolerância no Brasil.

1. É considerada a maior Parada do mundo

 

A 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo neste domingo Foto: Cesar Itiberê / FotosPúblicas.

Em 2004, quando recebeu 2,5 milhão de participantes, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo foi mencionada pelo Guinness como a maior do mundo. Quatro anos depois, o livro dos recordes retirou o título do evento por conta de divergências nos critérios de contagem da multidão. No entanto, a menção deu ainda mais fama à Parada realizada há duas décadas na capital paulista. Hoje, a mobilização goza de grandeza e prestígio tanto quando os eventos do gênero realizados em Toronto, São Francisco, Nova York e Madri.

2. Tem a incrível participação do Mães Pela Diversidade

Seja no chão ou em cima do trio elétrico, o Grupo Nacional Mães Pela Diversidade marca presença na Parada de São Paulo. Em tempos sombrios de intolerância, o coletivo formado por mães de jovens LGBTs faz um trabalho louvável de combate à homotransfobia e conscientização de famílias sobre amor e respeito à diversidade. Além de participar de Paradas por todo o Brasil, o Mães Pela Diversidade promove debates em eventos de cunho acadêmico e articulados por outros coletivos que lutam pela garantia de direitos civis para a comunidade LGBT.

3. Movimenta (e muito) a economia de São Paulo

Instituída oficialmente no calendário da cidade pelo Decreto 57.014/2016, a Parada conta este ano com um investimentos de quase R$ 1,5 milhão da prefeitura de São Paulo, que se responsabiliza pela infraestrutura do evento por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. O retorno desse investimento é certo. A parada é, ao lado da Fórmula 1, o maior evento de fluxo turístico da nossa cidade, tem um impacto econômico de grande expressão. Além da causa, contribui para a economia, gerando renda, empregos e imagem internacional.

4. É fervo, mas também é luta

“Por enquanto é luta", afirma a presidente da APOGLBT/SP, Claudia Regina dos Santos Garcia. Foto: Getty Images.“Por enquanto é luta", afirma a presidente da APOGLBT/SP, Claudia Regina dos Santos Garcia. Foto: Getty Images.

Dos tristes números relacionados à comunidade LGBT, um dos mais assustadores dá conta que o Brasil é o Pais que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em 2016, foram 127, um a cada 3 dias. Reverter esse número é mais do que urgente. Nesse contexto, a Parada funciona como um importante evento de visibilidade de minorias políticas diariamente violentadas. Entre purpurina, plumas e paetês há muita luta. "Vamos para a avenida pedir respeito, lamentando as mortes. A parada é uma festa, mas um dia espero que seja uma festa mesmo, uma comemoração dos direitos conquistados e mantidos. Por enquanto é luta",afirma a presidente da APOGLBT/SP, Claudia Regina dos Santos Garcia.

5. Reúne artistas brasileiros aliados da causa LGBT

Quanto mais aliados à causa LGBT, melhor. Artistas e marcas que levantam a bandeira do arco-íris am defesa da diversidade sexual e de gênero injetam fôlego num debate urgente. Neste ano, as principais atrações da Parada foram as cantoras Anitta, Daniela Mercury e Naiara Azevedo. Além delas, 19 trios elétricos ocuparam a Avenida Paulista reunindo shows, performances e discursos em prol de uma vida digna para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

6. E celebridades internacionais também

Em 2015, as atrizes Uzo Aduba, Natasha lyonne e Samira Wiley. Foto: Getty Images.Em 2015, as atrizes Uzo Aduba, Natasha lyonne e Samira Wiley. Foto: Getty Images.

Não é segredo que a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reúne pessoas do mundo inteiro. Na edição do ano passado não foi diferente. Em um dos trios elétricos, o colorido ficou ainda mais forte com a presença das estrelas internacionais de Sense8, série original da Netflix recém-cancelada que tem a diversidade sexual e de gênero como plano de fundo. As cenas gravadas pelo grande elenco podem ser vistas no sexto episódio da segunda e última temporada da série disponível no serviço de streaming. Em 2015, as atrizes Uzo Aduba, Natasha lyonne e Samira Wiley, de Orange is the New Black também prestigiaram o evento. 

7. É palco de manifestações artísticas que pautam o debate público

Nas últimas duas edições da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a atriz e modelo transexual Viviany Beleboni desencadeou um forte debate a respeito do fundamentalismo cristão que se estabeleceu no Brasil nos últimos anos - e que colabora para a manutenção preconceitos e agressões contra a comunidade LGBT. Na edição de 2015, a artista apareceu crucificada, numa alusão a Jesus Cristo, que representava a agressão e dor que os LGBTs enfrentam diariamente. No ano passado, Viviany pautou novamente o debate dentro e fora das redes sociais após desfilar no evento com uma fantasia que destacava uma Bíblia, além das palavras "bancada evangélica" e "retrocesso".

De marcha pequena, em 1997, evento explodiu em engajamento político, cor e música

Há 20 anos, Nelson Matias decidiu celebrar o dia oficial do orgulho gay ocupando a rua. Junto com o namorado e cerca de mais 2.000 pessoas, ele saiu pela avenida Paulista carregando um bandeirão arco-íris reivindicando direito, cidadania e respeito. Nascia naquele sábado, 28 de junho de 1997, a primeira parada LGBT de São Paulo. "Foi histórico. Rompemos definitivamente com o silêncio. Saímos do gueto e ocupamos a avenida mais simbólica da cidade. A partir dali, a gente disse à sociedade que existíamos e ocupamos um espaço", conta Matias, que é cofundador da parada e, na época, acabara de completar 30 anos.

Primeira marcha reuniu 2.000 pessoas na Av. Paulista. Foto: Acervo Pessoal.Primeira marcha reuniu 2.000 pessoas na Av. Paulista. Foto: Acervo Pessoal.No ano anterior, a comunidade brasileira de lésbicas, gays, bissexuais e transgênero, atenta às marchas que aconteciam nos Estados Unidos e Europa, já tinha dado os primeiros passos para organizar a passeata, nos moldes que conhecemos hoje, em um ato mais tímido que conseguiu reunir 500 pessoas na praça Roosevelt, no centro da cidade. O movimento foi organizado por vários coletivos de esquerda, mas principalmente pelo grupo Corsa (Cidadania, orgulho, respeito e solidariedade).

Nas últimas duas décadas, entretanto, muita coisa mudou e a parada ganhou outra proporção e virou um marco sobre ocupação do espaço público da cidade, antes mesmo da explosão dos protestos de junho de 2013, das megamanifestações a favor e contra o impeachment e do ressurgimento do Carnaval de rua. A Parada deixou para trás um pequeno carro de som e ganhou dezenas de trios elétricos. A marcha aumentou substancialmente de tamanho, agregou públicos diversos e entrou definitivamente para o calendário oficial de São Paulo. Em 2006, a parada gay atingiu a marca de 2,5 milhões de participantes, segundo a Polícia Militar, e entrou para o Guiness Book - o livro dos recordes - com o título de maior marcha pela causa gay do mundo. De lá pra cá, a sociedade também passou a discutir mais os direitos da comunidade LGBT, que colecionou algumas conquistas nos últimos 20 anos.

Foto: Tuane Fernandes / Mídia Ninja.Foto: Tuane Fernandes / Mídia Ninja."A única coisa que não mudou foi o preconceito. Ele não diminuiu. As pessoas continuam sendo mortas, agredidas e expulsas do lar por conta da sua orientação sexual. É claro que hoje discutimos mais sobre a causa LGBT, temos mais espaço na mídia e os jovens podem se assumir mais cedo, mas ainda há uma exclusão", diz o cofundador da marcha.

Se antes a parada era masculina, branca e gay, hoje ela se diversificou, misturou."Ela deixou de ser elitista e acabou virando um evento da cidade. As pessoas se preparam para ir, seja gay ou hétero, é muito plural. Tem o gay da periferia e os do Jardins [bairro nobre de São Paulo], muitas mulheres, todas as tribos juntas", conta. Na opinião do cofundador foi exatamente esse pluralismo que produziu tamanho sucesso da marcha, ainda que Matias confesse que dentro do evento há um preconceito da classe mais rica com a chegada da periferia negra ao movimento.

A diversificação e a proporção que o evento tomou também acarretaram alguns problemas pontuais, como brigas, roubos e a presença de grupos de homens heterossexuais que aproveitam a passeata para assediar lésbicas. "A maioria das pessoas, no entanto, quer celebrar, estar entre iguais, dançar e ouvir os gritos a favor da comunidade, ainda que não tenha ainda tanto para comemorar. Elas pensam aqui eu posso, aqui eu sou", explica.

Uma crítica recorrente escutada pela organização da Parada, nos últimos anos, é de que o acontecimento virou um grande carnaval fora de época e que o movimento perdeu sua repercussão política. "Falam do carnaval por causa das fantasias e da música, mas não é demérito nenhum. É uma das maiores manifestações populares que temos no país. Continuamos levantando nossa bandeira", diz Matias.

O evento se tornou tão importante no calendário da cidade que muitos turistas chegam de outros Estados e também do exterior. No ano passado, atrizes da série Orange Is The New Black foram uma das atrações da passeata. De acordo com dados da prefeitura, a Parada do Orgulho Gay tem impacto financeiro grande na cidade, de cerca de 100 milhões na economia de São Paulo. Parte da infraestrutura, como banheiro químico, segurança e gradeamento, cabe à Prefeitura de São Paulo, que gasta cerca de 1,4 milhão na marcha, segundo a organização.

O formato da parada é um dos diferenciaIs para o sucesso da marcha brasileira. "Aqui tudo é misturado, em outros lugares como nos Estados Unidos, ela é mais segmentada, e também as pessoas vão assistir ao desfile, há uma separação. Aqui é uma festa, todo mundo junto", explica o cofundador.

A 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo neste domingo Foto: Cesar Itiberê / FotosPúblicas.A 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo neste domingo Foto: Cesar Itiberê / FotosPúblicas.Na visão de Matias, apesar da luta por direito iguais ter gerado conquistas à comunidade LGBT nos últimos anos - como a adoção por casais homoafetivos e o direito dos travestis e transexuais usarem o nome social - muitos delas permanecem ainda apenas no campo jurídico. Sem amparo legal, os casais gays só conseguem a equiparação de direitos dos seus relacionamentos com os de heterossexuais, por exemplo, na Justiça. "Isso não pode ser confundido com igualdade de direito. Não pode haver uma dicotomia: uns podem mais que os outros. O Judiciário está a anos luz do Legislativo", diz.

***
Com informações do El País e Huffington Post Brasil.

Sao Paulo Sao

 

 

https://www.saopaulosao.com.br/nossos-encontros/3005-a-parada-do-orgulho-lgbt-e-a-melhor-do-mundo-e-mudou-sao-paulo-nesses-20-anos.html

 

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