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Conheça 8 exemplos de representatividade trans na universidade

18/05/2017:

 

 

Vai ter trans na universidade, sim!

Travestis e transexuais enfrentam uma série de dificuldades para adentrar o mundo acadêmico, como a marginalização e o não reconhecimento da identidade de gênero – seja no convívio social, na escola, no trabalho. Logo, chegar ao ensino superior é uma exceção a esta triste realidade.

 

A universidade, que ainda é pouco homogênea e acessível, carece de representatividade trans. Mesmo neste cenário desolador, encontramos inspiração em Amanda Palha, aprovada em primeiro lugar no vestibular da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) ou Marcelo Caetano, primeiro homem trans negro a se formar na UnB (Universidade de Brasília).

Pensando nisso, o Catraca Livre reuniu esses e mais alguns nomes de pessoas trans que se destacaram no meio acadêmico, são articuladores, influenciadores e quebraram paradigmas ao ocupar tais espaços – que deveriam ser de TODOS. Veja abaixo:

1. Marcelo Caetano

O cientista político de 27 anos, graduado recentemente pela UnB (Universidade de Brasília), foi o primeiro homem trans negro a chegar nesta posição. Consciente dos privilégios, Caê, como é chamado pelos colegas, lutou durante o curso para ser identificado por seu nome social nos documentos da universidade, na lista de chamada e carteira de estudante.

Reprodução/Oliver Kornblihtt

Créditos: Reprodução/Oliver Kornblihtt

Marcelo Caetano, formado em ciência política pela UnB

Em sua formatura, realizada no início de 2016, Caetano fez um discurso emocionante e empoderador. “Ainda aguardamos pelo dia em que o preto estará no rosto, mais do que nas becas, em que as travestis estarão na escola mais do que na esquina”, disse. Assista abaixo o discurso na íntegra:

2. Luma Andrade

A cearense, 39 anos, foi a primeira travesti a ter um doutorado no Brasil. Natural da cidade de Morada Nova (CE) e moradora de Russas (CE), a doutora em educação pela UFC (Universidade Federal do Ceará) atua em temas como direitos humanos, diversidade cultural, gênero, sexualidade e educação.

É autora do livro “Travestis nas Escolas: Assujeitamento e Resistência a Ordem Normativa” (Metanoia), publicado em 2015. O título é fruto de sua tese de doutorado, em que busca desvendar as resistências das jovens travestis no período escolar, o abandono dos estudos e a exclusão.

Arquivo pessoal

Créditos: Arquivo pessoal

Luma Andrade é a primeira travesti a ter um doutorado no Brasil

Luma possui graduação em ciências pela UECE (Universidade Estadual do Ceará); pós-graduação em gestão e avaliação da educação na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora); e mestrado em desenvolvimento e meio ambiente pela UERN (Universidade Estadual do Rio Grande do Norte).

Em 2013, ela tomou posse para fazer parte dos docentes efetivos de uma universidade pública federal, a Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira).

3. Letícia Lanz 

Aos 64 anos, a psicanalista é Letícia Lanz desde os 50. Radicada em Curitiba (PR), ela possui especialização em gênero e sexualidade pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e mestrado em sociologia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Divulgação/Lucas Pontes

Créditos: Divulgação/Lucas Pontes

A psicanalista Letícia Lanz

Letícia também é formada em economia, com mestrado em administração de empresas pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Além disso, carrega no currículo diversas especializações fora do país, como nas instituições Health & Fitness Counselling, em Londres, e Vocational Training, em Tóquio.

4. Sarug Dagir Ribeiro

Doutoranda em psicologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) na área de concentração de estudos psicanalíticos, defende uma tese sobre a sexualidade feminina na obra de Marie Bonaparte (1882-1962).

Reprodução/YouTube

Créditos: Reprodução/YouTube

Sarug Dagir Ribeiro é doutoranda na UFMG

Sarug completou graduação em psicologia (bacharelado e licenciatura) e é mestre em letras na área de concentração de teoria da literatura também pela UFMG. Na época, a dissertação defendida por ela era sobre o diário do hermafrodita Herculine Barbin (1838-1868).

Além da experiência em pesquisa, ela já participou de um documentário brasileiro, “O Céu Sobre os Ombros” (2011). Dirigido por Sérgio Borges, o filme acompanha alguns dias da vida de personagens de classe média de Belo Horizonte. Sarug fez o papel de uma transexual (Everlyn) que se divide entre a rotina de profissional do sexo e a vida acadêmica. Confira o trailer:

5. Amanda Palha

A estudante, 29 anos, foi aprovada em primeiro lugar pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) para cursar serviço social na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), em 2016. De São Paulo, Amanda concluiu o ensino médio sem nenhuma perspectiva de continuar os estudos.

Reprodução/Facebook

Créditos: Reprodução/Facebook

Amanda Palha cursa serviço social na UFPE

Depois que conseguiu um emprego na área de serviço social e começou a ajudar pessoas em situação de rua, ela percebeu qual era seu caminho.

Decidiu então fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e pleitear uma vaga na universidade. Pretende também se debruçar nos estudos de gênero, com recorte nas questões de transexualidades e travestilidade.

6. Jaqueline Gomes de Jesus

Professora de psicologia social no IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro), Jaqueline ganhou este ano a medalha Chiquinha Gonzaga, sendo a primeira mulher negra e transexual a receber tal honraria concedida pela Câmara do Rio de Janeiro. A premiação destaca personalidades femininas que lutam por causas democráticas, humanitárias, artísticas e culturais.

Reprodução/jaquejesus.blogspot.com.br

Créditos: Reprodução/jaquejesus.blogspot.com.br

Jaqueline dá aulas de psicologia social no IFRJ

Estudou psicologia social, do trabalho e das organizações na UnB (Universidade de Brasília). Jaqueline é pesquisadora, escritora e também compõe o grupo de transexuais doutoras no Brasil. É ela quem assina o livro “Transfeminismo: Teorias e Práticas” (Metanoia), publicado em 2014.

7. Valentim Félix

O jovem radialista foi o primeiro homem trans a se formar na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). Durante os anos de estudo ele usou o nome social e finalizou a graduação com um TCC dedicado à, literalmente, dar voz para a população trans. Ele criou o programa de rádio chamado “Escuta Trans”.

Reprodução/NLucon

Créditos: Reprodução/NLucon

Valentim criou o programa de rádio "Escuta Trans"

8. Megg Rayara Gomes de Oliveira

É a primeira travesti negra a obter o grau de doutora em educação na UFPR (Universidade Federal do Paraná). A tese defendida por ela debatia as situações de homofobia e racismo enfrentadas por professores negros homossexuais. Na banca, Megg usou um vestido vermelho com nomes de travestis mortas.

Nascida em Cianorte (PR), atua como professora substituta de didática na UFPR desde o início deste ano letivo e pretende lutar pela inserção de travestis no ensino superior.

Samira Chami Neves/Sucom

Créditos: Samira Chami Neves/Sucom

Megg Rayara durante defesa de tese

Número de travestis e transexuais na universidade

A boa notícia é que estes não são os únicos exemplos. No entanto, não é possível dizer se estamos avançando no número de travestis e transexuais na universidade. A Rede Trans Brasil encabeça um chamamento para colher dados e informações mais precisas da população trans em diversos âmbitos, incluindo a escolaridade.

O objetivo do CENSOTrans é fomentar políticas públicas na área da saúde, educação, assistência social, segurança, entre outras. Após a apuração, os dados serão organizados em gráficos e tabulados por especialistas (clique aqui para conferir o questionário, que ficará disponível até 14 de agosto).

 

Com informações do site NLucon e Exame.

 

 

https://catracalivre.com.br/geral/educacao-3/indicacao/conheca-8-exemplos-de-representatividade-trans-na-universidade/

 

 

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