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Cerca de 200 homossexuais já foram assassinados em 2016

26/04/2016:

 

Conselho da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil de Osasco/SP estima em mil mortes em 2015; Grupo falou na Conferência de Direitos Humanos em Brasília

 

Parada do Orgulho LGBT 2015 – Foto: Leo Pinheiro / Fotos Públicas (07/06/2015)

 

Enquanto dezenas de ônibus se revezavam no início da tarde de domingo (24) em frente ao Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília – local escolhido para sediar conferências conjuntas de direitos humanos –, milhares de pessoas se organizavam em filas que davam voltas no prédio. Nas mãos, pessoas de todos os Estados trazem bagagens de diversos tamanhos que são depositadas em um balcão criado para facilitar a participação nos debates. No rosto, paulistas, cariocas, capixabas, mineiros estampam a expectativa de conseguir dar voz às propostas prioritárias para grupos que buscam mais cidadania.

Os debates, convocados por meio de decreto publicado em novembro de 2015, vão reunir até sexta-feira (29) em um único espaço cinco conferências temáticas. De São Paulo, as transexuais Alessandra Lopes e Deenynha Dias trazem exemplos de boas políticas que garantiram um pouco de tranquilidade à comunidade LGBT no Estado, mas também fazem um alerta: “Em São Paulo, até estamos bem amparadas, mas vemos um risco grande de retrocesso no nível federal, com, por exemplo, o aumento da bancada evangélica [nos Legislativos locais e federal]”, disse Alessandra, que é empresária e integrante do Conselho da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil de Osasco/SP. Uma das mudanças que defende é a criminalização da transfobia. “A homofobia não nos contempla. Ano passado, foram mais de mil mortes e este ano já temos 200 mortes registradas”, completou a amiga Deenynha que é cabeleireira na capital paulista.

Entre os grupos mais animados e dispostos ao debate, o das idosas do Espírito Santo se sobressaia. Perguntadas sobre a expectativa em relação à conferência, todas falavam quase ao mesmo tempo sobre as dificuldades enfrentadas por suas faixas etárias, mas foi Ana Maria Pimenta, vice-presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Idoso na Cidade de Piúma quem resumiu: “Os idosos não podem passar 6 meses ou mais esperando um remédio ou aguardando na fila de uma cirurgia. Não temos saúde nem lazer”, reclamou. Em Piúma, por exemplo, o colegiado da sociedade civil para debater essas políticas só foi criado há pouco mais de um ano.

Na maior fila do evento, estavam os cadeirantes. Carioca, o desenhista Jocélio de Oliveira foi quem deu voz ao grupo. Ele lembrou que qualquer brasileiro enfrenta atualmente problemas em acessar direitos básicos, mas disse que as pessoas com deficiência têm um agravante: “Os governos parecem que não veem a pessoa com deficiência como um cidadão. Temos dificuldades em áreas como educação, saúde e transporte público. A gente está aqui em busca do reconhecimento desses direitos”.

*Carolina Gonçalves, da Agência Brasil

 

 

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