|
Deputados gays deviam sentar-se na última fila do parlamento
04/03/2013:
Declarações homofóbicas de Lech Walesa. Imagem do Nobel da Paz fica irremediavelmente comprometida.
Por:
tvi24
/ CP
O prémio Nobel da Paz Lech Walesa considera que os deputados
homossexuais deviam sentar-se na última fila do parlamento ou até mesmo
«atrás de uma parede».
Numa entrevista à TVN, na passada
sexta-feira, o primeiro presidente da era democrática da Polónia afirmou
que os gays «não têm direito a um papel de destaque na política» e
devem «adaptar-se a coisas mais pequenas».
«Uma minoria não deve impor-se à maioria», disse, citado pela Associated Press.
Vários
especialistas consideram que o símbolo da resistência anti-comunista
prejudicou irremediavelmente o seu legado ao assumir-se como homofóbico.
Uma comissão que combate a homofobia na Polónia apresentou uma
queixa contra Walesa, acusando-o de «propaganda de ódio contra uma
minoria sexual».
A homossexualidade continua a ser um tema tabu
neste país, em que a igreja polaca ainda tem muita influência e os
homossexuais se queixam de discriminação e até mesmo de casos de
violência.
Em 2011, no entanto, com a entrada do Movimento
Palokot no parlamento, o debate começou a ser feito. Este partido
anti-clerical elegeu uma transsexual, Anna Grodzka, e um deputado
assumidamente gay, Robert Biedron.
São estas as duas principais
figuras que motivaram um longo debate sobre o casamento civil entre
pessoas do mesmo sexo. As propostas de lei foram entretanto retiradas,
mas a discussão mantém-se.
Lech Walesa já não está politicamente
no ativo, mas ainda opina sobre a atualidade e os temas que preocupam a
Polónia. Alguns comentadores acreditam que estas palavras do católico
conservador, pai de oito filhos, vão prejudicar a sua imagem e diminuir o
número de convites para falar.
|