São Paulo – A partir de amanhã (1º), os casamentos
entre pessoas do mesmo sexo passarão a ter igualdade nos procedimentos
em relação aos casamentos heterossexuais nos cartórios paulistas.
“Até hoje (28) os casais deveriam apresentar o pedido de habilitação do
casamento e esse pedido era encaminhado ao juiz corregedor permanente. A
partir de amanhã (1°), não existe mais essa necessidade”, explicou o
presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado
de São Paulo (Arpen-SP), Luis Carlos Vendramin Junior.
Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em
2011,equivalência das uniões entre homossexuais e heterossexuais para a
formação de uma família, alguns cartórios aceitaram fazer casamentos
entre pessoas do mesmo sexo. Não havia, porém, uma regulamentação dos
procedimentos.
“O que ocorria até hoje em vários municípios [de São Paulo], em várias
comarcas, é que não existia um posicionamento único. Existiam vários
posicionamentos, uns que autorizavam, outros que não autorizavam”, diz
Vendramin. O primeiro casamento civil entre pessoas do mesmo sexo no
Brasil foi celebrado em junho de 2011, na cidade de Jacareí (SP).
Os casos que eram recusados pelos cartórios precisavam da aprovação da
Corregedoria-Geral do Estado. “Achou-se por bem fazer uma regulamentação
administrativa para pacificar o entendimento. Muito mais que pacificar o
entendimento, ele dispensou o envio para o juiz corregedor permanente”,
diz.
Somente na capital paulista foram celebrados 108 casamentos
homossexuais desde 2012, sendo que 22 nos dois primeiros meses deste
ano. Vendramin acredita que com a regulamentação o número de casamentos
desse tipo deve aumentar. “Existe uma demanda reprimida muito grande”,
diz ao citar a falta de informação como principal impedimento às uniões.
Segundo ele, muitos casais acreditam que a celebração depende de
autorização judicial.