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DC Comics é criticada por escalar escritor homofóbico para HQ de Super Homem

19/02/2013:

 

Orson Scott Card, que assumirá um dos títulos do herói, já declarou que o casamento gay "levaria ao fim da democracia".

 

A DC Comics, editora responsável pelas histórias de quadrinhos de personagens como Batman, Mulher Maravilha, Flash, Lanterna Verde e a Liga da Justiça, passou a receber fortes críticas desde a última semana quando anunciou a contratação, a partir de abril, do roteirista norte-americano Orson Scott Card para a revista digital "Adventures of Superman" (As Aventuras do Super Homem), um dos títulos mensais de seu principal personagem.



A polêmica gira em torno do fato de Card ser assumidamente um severo crítico dos homossexuais, chegando ao ponto de declarar em certa ocasião que o casamento entre pessoas do mesmo sexo resultaria “no fim da democracia dos Estados Unidos”. Em 2009, ele tornou-se um dos dirigentes da ONG Organização Nacional pelo Casamento, que faz campanha aberta contra o direito ao matrimônio para gays e lésbicas.



O anúncio da contratação de Card gerou uma série de protestos na comunidade LGBT, que pedem que a editora reveja sua decisão. “O Super Homem luta pela verdade, justiça e o modo de vida americano. Orson Scott Card não luta por qualquer noção de verdade, justiça ou modo de vida americano que eu possa apoiar”, diz Jono Jarrett, membro da Geeks Out, um site de fãs gays da cultura pop. “É decepcionante e francamente uma escolha estranha”.



Profissionalmente, Card, que morou dois anos no Brasil quando era missionário mórmon, se notabilizou pelo romance de ficção científica “O Jogo do Exterminador” (Ender’s Game, no original) (1977) e que deverá chegar às telas de cinema nos em novembro.



Jarrett desconfia que a DC quer se aproveitar da publicidade em torno do filme para aumentar as vendas graças à grife do roteirista. “Sinto que eles esperavam que ninguém se desse conta [da militância anti-gay de Card]. Estamos num país livre e o que fazemos por aqui é importante. Esse homem quer suprimir meus direitos civis e eu não darei meu dinheiro para ele”, afirma.



O ator Michael Hartney enviou uma carta para a DC e republicada em seu Tumblr se descrevendo como “o maior fã que o Super-Homem terá”, mas protestando furiosamente contra a decisão: “Não quero e não irei apoiar a contratação de Orson Scott Card em Aventuras do Super Homem. Há uma diferença entre ter princípios políticos conservadores e ser uma força ativa pelo ódio e a intolerância”, escreveu.

 

Hartney, que tem símbolo elipsado do super-herói tatuado em seu braço, também iniciou uma campanha colhendo assinaturas pela internet pedindo que a DC rompa o contrato com o escritor. Até o momento da edição desse artigo, ele já contava com 4.964 assinaturas.



"Se ele fosse um negacionista do Holocausto ou um supremacista branco, ninguém teria dúvidas: contratar esse escritor seria uma vergonha para a sua empresa. Bem, Card é uma vergonha para a DC. É a mesma coisa. A comunidade LGBT não vai deixar isso passar em branco. Nossos direitos civis não estão mais em fase de debate ou discussão".



"De todos os personagens vocês tinham que escolher para ele justamente o Super-Homem? O personagem que me ensinou a seguir o exemplo? A fazer a coisa certa, mesmo quando é a mais difícil? A persistir, mesmo quando tudo parece perdido? Que insulto. As crianças estão se matando graças a um clima de intolerância e homofobia publicamente fomentada por pessoas como Orson Scott Card. Vocês não precisam contribuir para isso, não devem e não podem”, disse Hartney, chegando a sugerir que a DC o contratasse de graça para escrever as histórias. “Já tenho 30 anos de pesquisa de Super Homem e o conheço muito bem. Seria bom se vocês o conhecessem também".



Dale Lazarov, um roteirista de quadrinhos homossexual, acredita ser contraprodutivo atacar a contratação de Card. “Sei que Card é um homofóbico furioso desde os anos 1990. Eu me recuso a ler ou comprar seus trabalhos. Mas negar emprego a ele por ser homofóbico é ir longe demais. Militar pela discriminação no trabalho, por qualquer razão, é contraprodutivo para quem quer acabar com a discriminação em seu próprio benefício”.



Em agosto de 2012, quando o Estado da Carolina do Norte aprovou uma lei determinando que o casamento é a união entre pessoas de sexos diferentes, Card escreveu um artigo dizendo que a legalização do casamento homossexual  “não era para dar aos gays o direito de formar casais”. “O objetivo é dar à esquerda o poder de forçar valores anti-religiosos às nossas crianças. Assim que legalizarem o casamento para pessoas do mesmo sexo, eles o utilizarão como ferramenta para tornar ilegal o ensinamento de valores tradicionais nas escolas”.



A DC Comics, que transformou versões atualizadas de dois de seus personagens mais antigos (a Mulher-Morcego em 2006 e o Lanterna Verde original em 2012) em homossexuais, não se manifestou sobre a polêmica.



(*) com informações do jornal britânico The Guardian

 

Opera Mundi

 

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