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Gays e emos viram alvo de esquadrões da morte no Iraque

26/03/2012:

 

Para gays e seguidores da moda emo, desafiar os estritos cânones que marcam a ortodoxia xiita imperante se paga com a vida

 

“Obrigaram-no a morder a borda de um banco antes de lhe estourarem a cabeça com um bloco de cimento. Chamava-se Saif Asmar e era meu amigo. Amanhã pode ser eu mesmo”. Ruby (nome falso) se debate entre a ira e o choro enquanto segura uma foto de um jovem apenas reconhecível após o brutal assassinato. Desde o começo deste ano, esquadrões da morte lideram uma campanha de ataques contra jovens homossexuais ou aqueles seguidores da moda emo.



“Usar brincos, piercing no nariz ou ter tatuagens é sinônimo de ser homossexual, de adorar o diabo ou de ambas as coisas”, explicou este jovem que abandonou sua casa há um mês por ter sido ameaçado. Ruby nota um aumento considerável dos ataques desde 6 de fevereiro. “Naquele dia, mataram Ahmad Arusa em Ciudad Sadr e outros quatro em Geyara”, ambos bairros xiitas de Bagdá. “São já mais de 80 os assassinados desde então”, denunciou.


Em um comunicado emitido em janeiro, o Ministério do Interior iraquiano qualificou a tribo urbana emo como grupo “satânico”, e ressaltou que um corpo especial da polícia se encarregaria de “combater tal fenômeno”. Hoje, os mortos por esmagamento em Ciudad Sadr, um dos nove distritos de Bagdá, se somam aos queimados com ácido em Jadimiya, no noroeste. Mais além do método empregado, quase todas as vítimas viram seus nomes em uma das listas que frequentemente amanhecem forrando os muros das ruas de Bagdá.

Ruby aponta diretamente para o Exército Mehdi – liderado pelo clérigo e líder político Muqtada Al Sadr – e denuncia a impunidade que cerca estes crimes. “O nosso é um governo-milícia”, se queixou, da clandestinidade, o jovem. “A única solução é que o Ocidente em seu conjunto pressione Bagdá para que acabe com este pesadelo”.

A vice-presidente da Organização para a Liberdade das Mulheres no Iraque, Dalal Jumma, lamenta pela ainda inexistente separação entre Estado e religião no Iraque nascido com a invasão militar norte-americana de 2003, que pôs fim ao regime de Saddam Hussein (1979-2003).  “As milicias penduram cartas nas paredes com nomes e sobrenomes de supostos homossexuais, a quem acusam inclusive de satanismo por ter participado no martírio do imán Hussein”*, neto do profeta Maomé morto no século VII, disse Juma da sede da organização no bairro de Karrada, no sudeste de Bagdá.

Uma dessas cartas, supostamente encontrada em Ciudad Sadr. Trata-se de uma lista com os nomes de 33 pessoas, localizadas abaixo dos números dos blocos de casas onde residem e antecedida por uma advertência redigida com numerosos erros de ortografia: “Se não parar com sua atitude atrevida em quatro dias, o castigo de Deus será dado pela mão dos muyahidines” (guerreros islâmicos), se lê entre os desenhos de duas armas.

Do escritório do partido de Muqtada Al Sadr, o Bloco Sadr, o líder religioso e político local Brahim Jawary desmintiu qualquer envolvimento de seu grupo nos assassinatos. Tanto esses crimes como “toda conduta imoral e contrária à religião” devem ser investigados convenientemente, disse.

Lésbicas


Não foi um bilhete em uma parede, mas sim um e-mail que levou a jovem Madi a abandonar sua casa. Hoje esconde tanto seu paradeiro como seu nome real. “Me ameaçavam dizendo que comunicariam a minha família que sou lésbica se não deixasse o país imediatamente”, lembrou esta jovem de 26 anos em uma entrevista de um lugar indeterminado em Bagdá. O medo de Madi não é infundado.


“Muitas lésbicas morrem no Iraque nas mãos de seus irmãos mais velhos. É mais um crime ‘de honra', uma espécie de assunto doméstico sobre o qual o governo nunca estabeleceu nenhuma investigação”, disse.


A organização com sede em Londres Iraqi LGBT (Lesbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais) estima que mais de 720 pessoas tenham morrido nas mãos de milícias extremistas no Iraque nos últimos seis anos.


Madi assegura ter perdido muitos amigos próximos e também não hesita quando o assunto é assinalar os culpados. “As milícias de Muqtada Al Sadr e as forças de segurança são as mais agressivas contra nós, sobretudo desde a ‘fatua’ – lei islâmica – emitida há quatro anos, que especificava, literalmente, que os homossexuais deviam ser executados da maneira mais severa”.


A iraquiana descreveu casos de pessoas esquartejadas ou queimadas vivas, e acrescentou que os médicos conhecem a natureza desses crimes por conta do estado dos cadáveres que chegam a eles. O IPS confirmou essas informações com médicos que pediram para permanecer no anonimato.


Em um informe publicado em agosto de 2009, a organização de direitos humanos Human Rights Watch, com sede em Nova York, assegurou que muitas das vítimas eram torturadas para que se extraíssem delas nomes de futuros alvos. Em vários casos, descreviam-se torturas como o uso de cola de contato no ânus que, com a ingestão massiva e forçada de alimentos e laxantes, conduz a vítima a uma morte atroz..


O mal estar por conta dessa onda de violência é perceptível inclusive atrás dos muros da Zona Verde, a área protegida em Bagdá onde estão os escritórios de governo e embaixadas. “Não fizemos nada além de retroceder no diz que respeito aos direitos humanos desde 2003”, ano da invasão estadunidense, lamentou a parlamentar Ashwaq Jaf, da Aliança Curda.

Uma das vítimas


“O problema de fundo é que estamos sujeitos a dois códigos, a Constituição iraquiana, por um lado, e a shariá – compêndio de leis islâmicas –, por outro. As contínuas contradições entre ambas desenbocam em vazios legais e, consequentemente, no desamparo das vítimas, disse Jaf. Nem todo mundo nos órgãos de poder compartilha dessa visão.


“No Iraque, o estigma que o fato de ser homossexual implica não é mais do que um claro reflexo da nossa sociedade”, disse Saad al-Muttalibi, alto representante do partido Dawa, do primeiro ministro  Nuri Al Maliki. Muttalibi responsabiliza pelos crimes as “milícias sunitas próximas à Al Qaeda ou as milícias iranianas”, sem fazer menção às xiita de Al Sadr. O segundo mandato de Al Maliki foi possível por conta da maioria que se conseguiu na coalisão com o Bloco Sadr.

Sunitas e xiitas se dizem adeptos a duas vertentes diferentes da religião muçulmana. Os xiitas constituem 60% da população deste país. Os sunitas, uma minoria que ronda os 20%, eram o grupo islâmico dominante no regime de Saddam Hussein.

“A situação vai se normalizando progressivamente e cada vez se torna mais fácil ver duplas de meninos caminhando de mãos dadas por Karrada”, assegurou Muttalibi. Certo ou não, a maioria dos comerciantes desse concorrido distrito retirou de suas virtines as caveiras, correntes ou qualquer outro objeto que possa levar a trágicos mal-entendidos.

 

 

Opera Mundi

 

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