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EUA - Briga por livros leva a pedidos de fogueira, piche e penas

27/07/2009:

 

Uma discussão sobre livros que falam de sexo e homossexualidade movimentou uma pequena cidade do Wisconsin, custou o cargo de alguns membros do conselho da biblioteca local e provocou uma campanha que pede a queima de livros em público.

 

A batalha mexeu com os 30 mil habitantes da cidade de West Bend, a menos de 60 Km ao norte de Milwaukee. Foram várias reuniões, debates no ar e textos em blogs. Já houve até o caso de um cidadão afirmar que o diretor da biblioteca municipal devia ser banhado com piche e penas.

 

Nem a Parada de Quatro de Julho escapou: em um carro, uma máquina de lavar roupas trazia uma faixa dizendo “Mantenham nossa biblioteca limpa”.

 

“Se me dissessem que teríamos uma briga desse tipo por livros, ‘nunca, nem em um milhão de anos’ é o que eu pensaria”, disse Michael Tyree, diretor da Biblioteca Memorial da Comunidade de West Bend.

 

A confusão começou em fevereiro, quando Jim e Ginny Maziarke, um casal da cidade, se opôs a algumas coisas na seção de jovens adultos da biblioteca. Mais tarde, eles pediram que o conselho diretor da biblioteca mudasse quaisquer livros ‘sexualmente explícitos’ (um conceito cuja definição é objeto de debate) da seção de jovens adultos para a sessão de adultos, com etiquetas indicando seu conteúdo.

 

Ginny Maziarka, de 49 anos e com quatro filhos, diz que alguns livros na seção da biblioteca destinada a jovens de 12 a 18 anos continham material impróprio para eles, tanto homossexual quanto heterossexual.

 

Ela e seu marido também pediram que a biblioteca adquirisse livros sobre homossexualidade que afirmassem a heterossexualidade, “como os livros escritos por ex-gays”, afirma Ginny, acrescentando que “todos os livros na área de jovens adultos que falam sobre homossexualidade são afirmativos. Não há equilíbrio”.

 

A biblioteca não concordou com as sugestões e o casal apelou ao conselho diretor. Ginny começou a escrever sobre a questão em um blog e o jornal local se interessou pela disputa, aumentando o clima de oposição.

 

Maria Hanrahan, também moradora da cidade e mãe, criou um blog para defender o outro lado do debate: “Sou contrária a qualquer outra pessoa que venha me dizer o que é e o que não é apropriado para meus filhos. Não queremos dizer aos outros que esses livros são apropriados para todo mundo, mas não achamos que eles devam ser isolados, nem restritos da seção de jovens adultos”. Maria é uma das fundadoras do grupo Pais de West Bend pela Liberdade de Expressão.

 

Quando ela apareceu em um programa de rádio local, pessoas ligaram para a emissora atacando suas opiniões. “As pessoas abraçaram esse debate com paixão. Temo que isso tenha dividido a comunidade”, diz Maria.

 

Em abril, o conselho municipal votou pela não renovação dos mandatos de quatro membros da mesa diretora da biblioteca. Segundo Michael Tyree, isso ocorreu em parte porque o conselho municipal achou que a biblioteca estava empurrando o problema com a barriga.

 

Os Maziarkas, que aumentaram sua lista original de “livros impróprios” de menos de 40 títulos para 82, fizeram uma petição solicitando que quaisquer “livros com material pornográfico dirigido aos jovens” fossem marcados como tais e removidos para a seção de adultos – inclusive livros que descreviam atos sexuais de uma forma considerada imprópria para menores. Segundo o documento, os livros ainda ficariam disponíveis ao público.

 

“Não estamos falando de material educativo”, afirmou Ginny, “estamos falando de sexo vulgar”.

 

Um dos livros a que ele se opõe se chama “The Perks of Being a Wallflower”, no qual um adolescente fictício fala sobre seu primeiro ano no Segundo Grau, o que inclui estupro e sexo – homo e heterossexual – entre jovens.

 

Michael Tyree afirma que os trechos extraídos dos livros e colocados no blog dos Maziarka estão fora de contexto e a crítica está mal embasada: “Nesse livro, por exemplo, o estupro e o sexo indiscriminado têm conseqüências, eles não são mostrados de forma positiva”.

 

Quando a mesa diretora da biblioteca se reuniu em 2 de junho, os dois lados haviam coletado mais de mil assinaturas cada, a favor de posições opostas. Dezenas de moradores falaram na reunião, antes que a mesa (ainda na sua composição antiga) votasse por unanimidade por manter tudo como estava.

 

Segundo Tyree, o pedido de remover e marcar os livros é problemático, porque nenhuma autoridade os declarou obscenos, nem pornográficos.

 

Disputas por causa de livros não são novas nem incomuns. No ano passado, foram registrados mais de 500 casos, a maior parte em escolas e bibliotecas públicas, conforme informado por Deborah Caldwell-Stone, da Associação Norte-Americana de Bibliotecas. Porém, esse caso chama muita atenção. Para Deborah, que monitora o debate, a remoção de livros para a seção de adultos, mesmo que se permita aos jovens acesso a eles, é uma forma de censura: “A intenção do pedido, nesse caso, não é a classificação etária de livros baseada na capacidade de leitura, mas apenas porque eles desaprovam o conteúdo, com a clara intenção de restringir o acesso. Isso viola a Primeira Emenda”, conclui a auditora.

 

Fora da cidade, a briga chamou a atenção de Ronert Braun, morador da área de Milwaukee que, junto com três vizinhos, deu queixa contra West Bend, exigindo que um dos livros da biblioteca fosse queimado em praça pública, além de pedir indenização.

 

Os quatro, que se definem como “idosos” em sua petição, afirmam que “seu bem-estar mental e emocional foi abalado pelo livro”. Sem relação direta com os Maziarkas, eles dizem que o livro “Baby Be-bop” (um romance sobre um adolescente homossexual) é “explicitamente vulgar, racista e anti-cristão”.

 

Braun, que se diz presidente de um grupo de Milwaukee chamado “União pelas Liberdades Civis Cristãs”, disse ter preocupação com esse livro em particular porque ele “passa dos limites” com linguagem ofensiva e descrição explícita de atos sexuais. Ele também disse: “Eu não fico em cima do muro quando se trata dessas coisas. Quando tomo a decisão de defender uma causa, eu vou até o fim”.

 

Deborah Caldwell-Stone assegurou que a Associação Norte-Americana de Bibliotecas vai cerrar fileiras em oposição ao pedido dele, se for o caso, apesar de achar que não se vai chegar a tanto porque “a petição tem muito pouca fundamentação legal”.

 

Quanto aos Maziarkas, eles vão aproveitar que a mesa diretora da biblioteca tem quatro novos integrantes e fazer uma nova investida. Eles não querem livros queimados, mas estão atrás de seus objetivos. “Queremos que os pais possam decidir se querem que seus filhos tenham acesso a esses livros e queremos que a biblioteca ajude a identificá-los”, diz Ginny, concluindo que “é apenas senso comum”.

 

Fonte: Site da CNN

Versão para o português: Eduardo Peret


Video do casal Maziarka se apresentando diante do conselho (e perdendo a petição) em inglês: http://www.youtube.com/watch?v=RIlMsTVRI8M

 

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