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Val Sales
O secretário-geral da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), Cláudio Nascimento, esteve no Acre na última semana para auxiliar a Associação de Homossexuais do Acre (AHAC) na articulação de políticas públicas para o setor. Ele é coordenador do Projeto de Monitoramento de Políticas Públicas de Combate à Homofobia e membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação da Presidência da República. Também é coordenador do Grupo Arco-Íris de Consciência Homossexual do Rio de Janeiro.
Na capital ele se reuniu com lideranças do Estado e município para intermediar a tomada de atitudes que coíbam o preconceito e a discriminação contra o homossexual. Para Cláudio, é importante é destacar o nível de articulação política e de capacidade técnica que a AHAC vem tendo, destacando a atuação do presidente da entidade, Germano Marino.
Ele e Germano estiveram na Coordenação do DST/Aids para apresentar o Programa Brasil Sem Homofobia e discutir uma forma de consolidar a presença dos homossexuais nas políticas de saúde e de prevenção da doença. O setor está visando a criação de um projeto de apoio para estruturar a classe. Sendo assim, ela poderá desenvolver ações de prevenção da aids, produzir matérias educativas e fortalecer o Centro de Referência que será inaugurado na Universidade Federal do Acre (Ufac) com o apoio governamental, assim como de outras áreas civis.
Espaço reconhecido para lésbicas
No campo de políticas para as mulheres, Cláudio esteve reunido com a secretária Extraordinária da Mulher, Mara Vidal. Na ocasião ele apresentou o Programa Brasil Sem Homofobia. “Conversando sobre a inclusão das lésbicas nas políticas das mulheres. Por mais que exista toda uma sensibilidade na política nacional nessa temática, na prática ainda não há ações mais concretas para garantir a visibilidade delas nas políticas de saúde e nos programas da mulher”, completou.
Segundo ele, há a necessidade de uma representação política das lésbicas no conselho estadual da mulher, sendo que a secretária foi sensível, e inclusive assumiu o compromisso de apontar, mesmo que não fique na secretaria, recomendação para a possível substituta. “ Ela também disse que vai sugerir ao governo do Estado a criação do programa ‘Acre Sem Homofobia’, que é uma reivindicação que a Associação de Gays, Lésbicas e Travestis está fazendo, e a AHAC vem defendendo. Espero que a partir da experiência nacional o Acre também cresça no movimento de combate a discriminação”, declarou.
Cláudio visitou o Secretário de segurança Pública, Antônio Monteiro, com o qual expôs a violação dos direitos da população gay, que segundo ele, ainda, infelizmente, alguns agentes reproduzem situações homofóbicas. “Pedimos que o secretário indique uma pessoa do gabinete para acompanhar a questão das políticas públicas para os homossexuais no Acre e nomeie alguém para servir de elo entre a secretaria e o Centro de Referência de Combate a Discriminação”, acrescentou.
Na oportunidade o representante nacional pediu que Monteiro indicasse gestores para participar do 1o Seminário Nacional de Segurança e Combate à Homofobia, que vai acontecer de 11 a 14 de abril no Rio de Janeiro. De acordo com ele, é a primeira vez que se reúne a polícia de todos os Estados do país e o movimento organizado de homossexuais, para discutir os tipos de ações concretas que podem ser construídas no plano nacional e local.
Inclusão social
Cláudio Nascimento esteve na Secretaria de Ação Social e Cidadania e discutiu a necessidade da criação de uma política que inclua perspectiva de combate à homofobia e à inclusão da população homossexual. A secretária Maria das Graças assegurou que a ação também depende de a população sexual gerar demanda, porque se a categoria não se manifestar não há como saber se existe problema ou não.
Na audiência com prefeito foram apresentados os avanços no combate à discriminação e de como podem ser criadas políticas no âmbito municipal para fortalecer as ações e contribuição com o Centro de Referência. O prefeito Raimundo Angelim assumiu o compromisso de encaminhar uma lei municipal que proíba a discriminação sexual por agentes públicos e empresas privadas, a mesma que já está em vigência em 110 municípios do país.
Para o presidente da AHAC, Germano Marino, não existem processos sociais de transformação e de mentalidade sem parcerias. De acordo com ele, elas são feitas no processo de mobilização para que se possa vencer e quebrar paradigmas e construir processos libertários reais e dar visibilidade não só aos gays, mas às pessoas que acreditam que conviver com as diferenças é a melhor coisa. “Acreditamos na construção de um mundo que tenha mais fraternidade, igualdade e respeito ao próximo, mas já demos grande salto qualitativo de construção social”, disse. |