Em plena efervescência da maior parada gay do mundo, em São Paulo, em que a tônica era o grito contra a homofobia, uma empresa aérea brasileira teria discriminado o promotor de eventos Renato Murad.
O rapaz, ao embarcar de volta de São Paulo para Porto Seguro, na noite de 19 de junho, foi severamente discriminado, conforme relata em sua correspondência abaixo destacada, que enviou ao presidente da companhia aérea:
'Caro Sr. Presidente
Sou passageiro fidelidade de sua cia já há um bom tempo (4336142), minha profissão é produtor de eventos, fazendo com que eu utilize vôos muito regularmente.
No último dia 19 do corrente estava no vôo procedente de São Paulo para Porto Seguro, após ter embarcado e permanecido durante muito tempo dentro da aeronave me informaram que eu não faria o trecho BH naquela noite e que seria transferido para o dia seguinte.
Desembarquei e me dirigi ao balcão de embarque, após esperar muito tempo fui destratado por sua gerente de nome Carla, que se dirigiu a uma funcionária diante de vários passageiros e ao ser questionada sobre a demora em me atender disse 'Deixa, essa Bicha que espere', tal frase foi escutada por varias pessoas, me dirigi ao DAC e formalizei uma queixa, chamei a imprensa e ao me dirigir à delegacia de polícia fui informado de que precisaria do nome completo da funcionária.
Liguei para sua central de atendimento que se recusou a me fornecer o nome da gerente.
A título de informação estou indo a Porto Seguro para produzir a I Semana GLS de Arraial d'Ajuda, a qual vai trazer muitos passageiros gays para sua cia.
Por ser atuante e fiel ao movimento me senti descriminado e para sua informação Homofobia é Crime. Três Milhões de pessoas se reúnem na Avenida Paulista para lutar por seus direitos de igualdade e dois dias depois sou ofendido e discriminado por sua empresa.
Como passageiro foi uma grosseria, como ser humano um desrespeito e como gay um crime. Apesar de ter sido encaminhado a Dra Patrícia de seu departamento jurídico, gostaria de informar que estou buscando ajuda de meus amigos dos órgãos de defesa dos direitos ao homossexual e tenha certeza que esse crime não ficará impune.
Não quero que entenda essa carta como um pedido de indenização pois, minha dignidade não tem preço. Entenda-a como uma denúncia para que isso não volte a acontecer com negros, gays, judeus, católicos ou qualquer tipo de pessoa.