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A história real por trás de Orações Para Bobby
16/10/2012:
Revista Lado A
O filme Orações Para Bobby narra a história real de Mary Griffith,
vivida por Sigourney Weaver. A mãe presbiteriana que se arrepende de
tentar curar o filho homossexual que se mata depois de não aguentar
tamanha pressão. O filme estreou na TV americana em 2009, na noite
anterior ao Oscar e mudou paradigmas. A história se passou nos anos 80
em Walnut Creek, Califórnia, próximo a São Francisco. Em 27 de agosto de
1983, Bobby Griffith tirou sua vida ao pular de um viaduto sobre uma
autoestrada, aos 20 anos, em Portland, Oregon para onde se mudou. O
filme e o livro são bem fiéis a história real. Bobby é retratado moreno
no filme mas era loiro na vida real. Ele também tinha um corpo mais
atlético.
Por quase quatro anos ele sofreu pressão de sua família para deixar
sua homossexualidade. Sua mãe, religiosa fervorosa, não admitia a
homossexualidade do filho, ao qual denominava de doença, ou aberração, e
contra qual usava a Bíblia para respaldar seus preconceitos.
Os questionamentos de Bobby a Deus, suas frases de auto rejeição
baseados nos ensinamentos que recebeu, deixados em um diário, apontam
claramente como a sua religiosidade em uma igreja que o condenava ao
inferno e a falta de apoio da família foram cruciais em sua decisão de
acabar com a própria vida. Mais uma história que ainda hoje se repete.
Estima-se que 3 mil jovens gays se matam por falta de auto aceitação nos
EUA, anualmente.
Em entrevista recente, a mãe de Bobby, Mary Griffith, afirmou que o
irmão só contou que Bobby era gay depois que ele tentou se matar e que
ele já sabia do fato há mais de 2 anos. Ela contou ainda que só percebeu
que o filho não escolheu ser gay quando ele morreu e depois de se
informar, algo que lamenta não ter feito antes. Para os pais, ela dá um
recado: “Eu falei com muitos pais nesses anos. E eu acho que eu só
poderia dizer a eles para que ouçam seus filhos e não tentem fazer
prevalecer suas opiniões sobre as deles”. A história virou o livro
"Prayers for Bobby: A Mother's Coming to Terms with the Suicide of Her
Gay Son", em 1995, com diversas passagens do diário de Bobby. O filme
foi lançado em DVD, nos EUA, em 2010 e recebeu diversos prêmios.
Os pais de Bobby ainda vivem em Walnut Creek. Mary ainda participa
eventualmente da PFLAG - Pais, Família e Amigos de Lésbicas e Gays,
associação que aparece no filme. Abaixo, leia o depoimento feito por
Mary Griffith em uma reunião do conselho o condado sobre a celebração de
um dia para a liberdade gay, 8 meses após a morte de seu filho, em que
ela defende a comunidade gay pela primeira vez. A passagem foi
transformada em um dos momentos mais comoventes do filme:
“Homossexualidade é um pecado. Homossexuais estão condenados a
passar a eternidade no inferno. Se quisessem mudar, poderiam ser curados
de seus hábitos malignos. Se desviassem da tentação, poderiam ser
normais de novo. Se eles ao menos tentassem e tentassem de novo em caso
de falha. Isso foi o que eu disse ao meu filho, Bobby, quando descobri
que ele era gay.
Quando ele me disse que era homossexual, meu mundo caiu. Eu fiz
tudo que pude para curá-lo de sua doença. Há oito meses, meu filho pulou
de uma ponte e se matou. Eu me arrependo amargamente de minha falta de
conhecimento sobre gays e lésbicas. Percebo que tudo o que me ensinaram e
disseram era odioso e desumano. Se eu tivesse investigado além do que
me disseram, se eu tivesse simplesmente ouvido meu filho quando ele
abriu o coração para mim... eu não estaria aqui hoje, com vocês,
plenamente arrependida.
Eu acredito que Deus foi presenteado com o espírito gentil e amável
do Bobby. Perante deus, gentileza e amor é tudo. Eu não sabia que, cada
vez que eu repetia condenação eterna aos gays... cada vez que eu me
referia ao Bobby como doente e pervertido e perigoso às nossas
crianças... sua auto-estima e seu valor próprio estavam sendo
destruídos. E finalmente seu espírito se quebrou alem de qualquer
conserto. Não era desejo de Deus que o Bobby debruçasse sobre o corrimão
de um viaduto e pulasse diretamente no caminho de um caminhão de
dezoito rodas que o matou instantaneamente. A morte do Bobby foi
resultado direto da ignorância e do medo de seus pais quanto à palavra
“gay”.
Ele queria ser escritor. Suas esperanças e seus sonhos não deveriam
ser tomados dele, mas se foram. Há crianças como Bobby presentes nas
suas reuniões. Sem que vocês saibam, elas estarão ouvindo enquanto vocês
ecoam ‘amém’. E isso logo silenciará as preces delas. Suas preces para
Deus por entendimento e aceitação e pelo amor de vocês. Mas o seu ódio e
medo e ignorância da palavra ‘gay’ silenciarão essas preces. Então...
Antes de ecoar ‘Amém’ na sua casa e no lugar de adoração, pensem. Pensem
e lembrem-se. Uma criança está ouvindo.” (Mary Griffith)
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