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Armários e closets não são para nós.
12/07/2012:
Muitos jovens, e até adultos bem
crescidinhos, ainda se encontram no armário, mesmo quando desnecessário,
e isso é muito feio. Armários são feitos para roupas, e não somos
roupas, nem qualquer outro objeto, somos humanos e temos o direito de
viver plenamente nossa sexualidade. Ninguém nasce no armário, entra-se
nele quando temos medo da própria sexualidade, isso é pessoal e deve ser
respeitado, claro. O medo e a insegurança se comportam diferente de
pessoa para pessoa, de como a sociedade e a subjetividade o faz ver a si
mesmo, de como acha que os outros o verão, por isso tanto medo em se
assumir. E, depois assumir ao mundo, aos amigos, e principalmente à F A M Í L I A, o tempo de sair dele deve também ser uma escolha pessoal, não pode ser atropelado, porém o problema é quando isso é adiado.
Há um engano enorme em ver o armário
como um ponto seguro, onde o enrustido (desculpe-me quem não gostar
dessa palavra) acha que está protegido dos olhos alheios, mas não está. O
armário pode (e vai) atrapalhar mais do que ajudar, e chegar a um ponto
de conforto e medo tão grande, que as paredes do armário parecerão
impenetráveis, a saída dele impossível. O medo tranca as chaves, a
sensação de segurança prende de vez dentro dele, mas tem só uma coisa, o
enrustido sempre dá pinta e todos percebem menos ele, todos sabem e só
ele não percebe isso.
A saída tardia do armário se dá por pura
falta de informação ou exagero de medo, o medo da rejeição, do ódio das
pessoas que você gosta, dos olhares e dos comentários. Isso assusta de
uma muito. O armário só serve quando você não tem a certeza de estar
preparado pra viver sua sexualidade e encarar suas consequências. Mas só
saindo e lutando por respeito que poderão te conhecer e te respeitar de
verdade.
Sair do armário, além de ser um ato
politico e transgressor de uma enorme repercussão, é também um voto de
confiança a quem você gosta. Embora muitos não compreendam de primeiro, a
postura deve ser tomada como tal: “estou te dando um voto de confiança,
estou me abrindo e te mostrando quem sou”. Não é um bicho de sete
cabeças, no máximo 03… (risos).
Vamos começar a te ajudar a ter aquela conversinha com sua família ou amigos e que você nunca teve coragem.
Estejam prontos pra surpresas, eles
podem fazer vista grossa com você não ter namorada, ou gostar de Rihana,
Gaga, Britney ou Adele, as suas roupas ou um ‘ai que tudo’ que você falou num jantar… Como eu disse antes, só quem dá pinta não percebe.
Tente contar a uma pessoa por vez, é
mais fácil de argumentar e conversar. Com todo mundo contra você ao
mesmo tempo será bem mais difícil.
Estude um pouco, se informe. Esteja
pronto pra argumentar, mostrar que tem consciência de onde está e seja
firme, mostre confiança: “eu sou e não tenho duvidas disso”. E fique
pronto pra responder um monte de perguntas.
Esqueça completamente a ideia de levar o
namorado que a sua família acha que é amigo, e sair falando para todo
mundo no meio da sala ou na hora da janta, vai ser pior e mais
constrangedor para a sua família. Lembre-se: esteja sempre pronto pra
ouvir um não, afinal estão sendo contrariados, reagir bem de imediato é
muito difícil.
Tente induzir seus pais à conversa, dê
mais pinta, esqueça uma revista em cima da cama, ou algo do gênero que
faça eles questionarem, pois com isso eles estarão mais preparados pra
discutir o assunto.
Use o que tiver a seu favor, internet, algum lgbt (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) mais experiente que você, se informe, se prepare.
Tente falar e explicar por completo, não
perca o controle e seja educado, (isso sempre, não só quando sair do
armário) assim passará confiança, tente sempre pedir atenção, vão chegar
momentos em que vai querer gritar, soltar um ‘cala’ boca’, mas calma,
tente ganhar voz sem isso, pode ser tachado de intolerante.
E a dica mais importante, tenha um lugar
pra passar a noite… Sim, em muitos casos pode haver expulsão de casa
por uma noite ou duas, nesse caso os amigos salvam vidas. Eu aconselho
também sair primeiro do armário com os amigos, é um bom treinamento e
aprenderá como reagir no caso de rejeição. Ou, em casos mais graves,
tenha condições de sair de casa por bastante tempo, você conhece o que
sua família pode fazer, tenha independência o suficiente pra ignorá-los
até que percebam o que perderam e o quanto foram injustos. Ignorar
nesses casos é muito bom também.
Sair do armário é um ato libertário, o
mundo é muito melhor fora dele, mais difícil sim, mas depois de
conseguir o apoio de quem importa o fardo diminui. O tempo é seu, mas
minha ultima dica: “Saiaaaaa desse armário bee, o mundo pode não ser gay, mas você pode” !
John Rhayllander Botelho Pires / Todos iguais
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