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A Parada De São Paulo Homenageia Postumamente a João Antonio Mascarenhas

24/05/2005: por Marccelus Bragg - http://portal.marccelus.com />
Final de maio dos mais aguardados em todo o Brasil. Dos quatro cantos do país, os olhos e os corações orgulhosos da condição GLBTS se voltam para São Paulo. E será esta a metrópolis anfitriã. E poderá estar acontecendo o maior evento gay do mundo. A Parada GLBT 2005 a se concretizar no próximo dia 29 e cujo tema será “Parceria Civil Já: Direitos Iguais, nem menos nem mais”.

E eu destaco, dentro do bem elaborado Calendário de Eventos da Associação do Orgulho GLBT de São Paulo, a entrega do importante “Prêmio Cidadadania em Respeito a Diversidade” que ocorrerá na sua sexta edição e terá como palco a casa de espetáculos Tom Brasil na região central da capital paulista.


Sem dúvida que receber uma premiação e ser lembrado num evento do porte desta Parada é uma honraria para poucos. Um motivo de orgulho. E ainda mais, quando o escolhido habita a eternidade e já não está entre nós. Porque vê-se que a memória e tudo que o agraciado representou não virou pó ou caiu no esquecimento. Os seus feitos continuam vivos e são capazes de emocionar. Como será, para todos nós, a grata satisfação em assistir ao antropólogo Luiz Mott, receber em nome do já falecido João Antonio Mascarenhas a sua homenagem póstuma.

Recai sobre a organização da Parada GLBT 2005 os festivos louros da escolha. João Antonio foi o militante homossexual que passou a maior parte da sua vida dedicado a causa. E Luiz Mott é de fato e naturalmente, neste momento, a figura do cenário GLS nacional talhada e com o direito à receber este louvor representando o militante desaparecido.


Com a mais absoluta certeza, o João Antonio Mascarenhas, de onde estiver agora, estará aplaudindo este momento. Ambos, Luiz Mott e o JAM, como o gaúcho militante assinava as suas “ minunciosas e organizadas correspondências”, eram amigos. Eu testemunho uma grande parte desta amizade, as divergências em alguns pontos da estragégia de luta, mas todo tempo afinados e unidos em torno de uma causa comum, a de “não deixar nada passar em branco e dar o troco à altura” para todo e qualquer preconceito e homofobia.

Eram tempos difíceis, havia uma Assembléia Nacional Constituinte em ação e muito trabalho para incluir a palavra Orientação Sexual no texto da Carta Magna e a AIDS, representava o gancho que os reacionários precisavam para tratar os homossexuais como párias e eternos culpados. E encampando estas frentes de batalha João Antônio Mascarenhas – aliado ao Mott – e com apoio de várias agremiações organizadas do MHB construiu um momento único de resistência. Tinhoso, persistente, organizado e inteligente, JAM foi um grande exemplo de brasileiro Gay.


O episódio do “Assassinato do Vereador Homossexual Renildo, de Coqueiro Seco/AL” me marcou profundamente. Tudo pelo seu empenho e pela sua jornada por justiça. Lutando por transparência naquele hediondo episódio de homofobia. De como o João Antônio Mascarenhas, se deslocava do Rio e se envolvia emocionado com a dor e o sofrimento causado aos familiares do trucidado alagoano. Tanto que o reconhecimento veio em seguida e o nome do Gay assassinado virou prêmio pró Direitos Humanos na Austrália.

Sem dúvida que a sua memória é um resgate primoroso e dar esta oportunidade a que a história do MHB o reconheça é surpreendente. Algumas rápidas informações a respeito da luta deste combativo personagem são estas que cito adiante, mas a biografia completa, tudo sobre a vida e os detalhes dos feitos do JAM , são de autoria de Robert Howes, inglês, pesquisador e amigo do militante que sempre nos fará falta.


João Antonio de Souza Mascarenhas, nasceu em Pelotas/RS em 24 de Outubro de 1927, advogado, poliglota, fundador do Jornal O Lampião e do Grupo de Conscientização Homossexual Arco-Iris/RJ. Foi o primeiro Gay assumido a falar Congresso Nacional em duas das sub-comissões pró Constituinte de 1988 e o pioneiro dos latinos americanos à filiar-se a ILGA enquanto pessoa física. Militou competentemente pela inclusão do termo “Orientação Sexual” nos textos de cartas magnas e de leis orgânicas, pelos registros dos Grupos Gays enquanto associações civis, pela queda do dispositivo 302.0 do Inamps que taxava os Homossexuais como portadores de “desvios e de transtornos sexuais, Etc.. Vindo a falecer em 1998 na cidade do Rio de Janeiro onde passou a maior parte da sua vida.

Também, como contribuição enriquecedora ao Movimento Homossexual Brasileiro agradecemos ao prof. Dr. Cláudio Roberto da Silva por disponibilizar como referência histórica esta autobiografia do João Antonio de Souza Mascarenhas. Uma preciosidade à ser computada à favor da nossa identidade gay.


NÃO SE ESQUEÇA QUE O PRÊMIO PÓSTUMO A JOÃO ANTONIO MASCARENHAS SERÁ ENTREGUE no:



Dia 26 de Maio.
Evento: Festa Oficial da Parada e entrega do 6 Prêmio “Cidadadania em Respeito a Diversidade”
Local: Tom Brasil, Rua Braganca Paulista, 1281

 

Site: http://portal.marccelus.com

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