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Em Salvador, a 1ª. Parada Gay do Subúrbio.
23/05/2006:
Por Marccelus Bragg
A bairro de Paripe, que faz parte do subúrbio ferroviário da capital baiana onde residem mais de 300 mil pessoas, parou ontem, 20/05, para assistir a sua 1ª. Parada do Orgulho Gay.
A organização do evento ficou por conta do artista plástico e cabeleireiro Sandro Costa, que da sua Maison SC na Praça João Martins, encarna a Drag “Nicole Cuscus” e como homossexual assumido detém na localidade uma influência total. Sandro é sempre premiado nos concursos de Fantasia Gay do carnaval da Emtursa/GGB. E por esta razão o mais famoso point gay do subúrbio o “Bar das Monas” na Praça dos Esportes deu total apoio ao acontecimento. E não faltou nesta festa a “cartola” do time de futebol Gay de Itacaranha, a Drag Kika a popular do “Baba Gay” que é outra top biba daquelas bandas.
O único trio elétrico ao som tecno/house do DJ Deco ficou cheio simpatizantes e foi preciso mais um carro de apoio para servir de palco às drags convidadas. Uma delas, a Larck D'prer que se auto intitula "a melhorzinha", disse “somos alegria, sorriso e colorido, estamos esquentando as baterias para as próximas paradas , com tando gay que tem aqui em Paripe decidimos não esperar mais e botamos o nosso rebuliço nas ruas”. Já para Sandro Costa a “Nicole Cuscus”, “ fizemos esta Parada com a intenção de mostrar que a Salvador Gay não se resume a Barra. Há vida, excelentes pessoas gays nos subúrbios também. Essa vibração toda nasceu do fato de condenarmos a homofobia. Isto aqui já foi mais violento, hoje está mais fácil ser gay e trabalhar na região. Queremos dizer a todos que moramos aqui, o subúrbio é o nosso lar e faz parte da nossa vida, portanto gays ou não gays temos que viver sempre unidos ”.
A polícia, consultada por nós, estimou em 5 mil pessoas os presentes, já os animadores da Rádio Comunitária Maré, nos sugeriram 25 mil. Andiara, a mãe de um jóvem gay participando da Parada desabafou “ eu tenho orgulho do meu filho, eu adoro estar entre os gays e nunca me envergonhei em ser mãe de um homossexual. Tenho outros três filhos homens, apenas um deles resolveu virar uma “Caroline” . Se ele estiver feliz assim, pra mim está tudo bem”.
O discurso mais emocionado da noite foi o da madrinha da Parada, a cantora e “Rainha do Arrocha” Nara Costa “pessoal, escutem direitinho, esta Parada Gay não é só pra gente ver Gay não. É pra gente entender que não pode bater neles, que não pode xingar eles, que não pode tratá-los mal ou com falta de respeito. Olha, quando vocês voltarem para casa pensem que alguém da sua familia pode ser Gay e que enrustido e infeliz pode estar pedindo socorro. Somos todos seres humanos e nesta vida, a gente tem a obrigação de fazer o bem”.
Quem deu força à realização da 1ª. Parada Gay do Subúrbio foi o vereador Alfredo Mangueira, que bastante afônico não discursou, mas fez questão de jogar preservativos para a galera e posou com a bandeira do rainbow para mostrar que não tem preconceito. Os comerciantes locais e a Rádio Comunitária Marés não faltaram ao social da investida GLS e até carros temáticos, com rapazes pintados usando sungas e alguns reminiscentes dos blocos de travestidos, puderam ser vistos em Paripe na maior descontração.
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